Serras da Desordem
Andrea Tonacci, Brasil, 2006
O filme conta a história de um índio que se perde de sua famíla após um massacre. Durante dez anos, esse índio fica sozinho na mata, até encontrar um grupo de pessoas que o acolhe, seguido de algumas outras “transferências”.
O mais inovador do filme é que a história é real, e encenada pelo próprio índio Carapiru. Assim o filme não é apenas um relato factual, mas uma reinterpretação da história, pois foi reconstruída em um outro momento.
O índio conheceu grupos sociais totalmente diferentes do qual ele vivia, estranhou e causou estranhamentos diversos. Apesar de não ter apresentado nenhuma intenção de estudo antropológico, Carapiru conheceu esses grupos, conviveu com eles e tentou absorver os hábitos desses grupos, se tornando afetivamente importante para aquelas pessoas.
Fonte: Portal de Cinema
Contudo o INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e a FUNAI (Fundação Nacional do Índio) tinham como missão retirar Carapiru desses convívios. O Índio passou um tempo numa casa de classe média urbana após essa “retirada”.
Após assistir o filme, é difícil debater o assunto sem entrar na discussão sobre o etnocentrismo. Vemos que os membros da cultura “civilizada” teimam em “civilizar” o índio. E quanto mais “civilizada”, maior é essa preocupação. Podemos acreditar que maior é o etnocentrismo.
Segundo Luiz Zanin, numa crítica do filme para o Estadão,
“uma cultura não “lê” a outra senão com os olhos do preconceito. Tudo o que se pode fazer é reconhecer o mistério do Outro e instalar-se na posição de simpatia em relação a ele. Colocar as emoções em sintonia, pois isso é o que quer dizer simpatia. A humanidade é una e diversa, e esse é o maior milagre de todos.”
A partir dessa visão, Andrea retrata a história e faz um trabalho antropológico desse encontro, que se torna um documentário de forma inovadora e conteúdo altamente interessante e cautelosamente denunciador.

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