Lucky Mckee, EUA, 2011
Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=nEKFeAYmN9c
Civilizar:
Tornar-se civil, educado.
Transmitir ou adquirir estado social e/ou cultural condizentes com o progresso alcançado no mundo contemporâneo.
Barbárie:
Estado ou condição de bárbaro, sem civilização, rude.
Fonte: Novo dicionário Aurélio da Língua Portuguesa
Civilização e barbárie tornam-se conceitos intercambiáveis em “A Mulher Selvagem”, longa-metragem dirigido pelo norte-americano Lucky Mckee. De um lado, o homem branco, educado e patriarca. Do outro, a mulher de trejeitos animalescos, que se alimenta de peixe cru e dorme em cavernas. O encontro dessas duas realidades conduz a uma inversão de papeis ao revelar a selvageria escondida por trás da polidez do terno e gravata. A violência vai do tema à visualidade em um questionamento furioso acerca dos paradigmas de civilidade.
Tornar-se civil, educado.
Transmitir ou adquirir estado social e/ou cultural condizentes com o progresso alcançado no mundo contemporâneo.
Barbárie:
Estado ou condição de bárbaro, sem civilização, rude.
Fonte: Novo dicionário Aurélio da Língua Portuguesa
Civilização e barbárie tornam-se conceitos intercambiáveis em “A Mulher Selvagem”, longa-metragem dirigido pelo norte-americano Lucky Mckee. De um lado, o homem branco, educado e patriarca. Do outro, a mulher de trejeitos animalescos, que se alimenta de peixe cru e dorme em cavernas. O encontro dessas duas realidades conduz a uma inversão de papeis ao revelar a selvageria escondida por trás da polidez do terno e gravata. A violência vai do tema à visualidade em um questionamento furioso acerca dos paradigmas de civilidade.
Fonte: Site oficial
A produção, baseada no romance escrito por Jack Ketchum e pelo diretor Lucky Mckee, desenvolve-se a partir do esfacelamento de uma família aparentemente normal. Em uma pequena cidade, o advogado Chris Cleek (Sean Bridgers) descobre que uma mulher selvagem (Pollyanna McIntosh) vive na floresta onde costuma caçar. Decidido a civilizá-la, Chris captura a estranha, mantendo-a prisioneira no porão de sua casa. Tratada como um animal de estimação, ela passa por sessões de tortura assistidas pela esposa e pelos três filhos do casal.
Em meio às tentativas de domesticação, a mulher, com os braços e as pernas amarrados, é lavada com água fria, vestida com saia e blusa e ensinada a comer com talheres. Rude, bruta e ignorante aos olhos da família, precisa aprender a reproduzir uma cultura que não lhe é natural, mesmo que para isso seja necessário valer-se da violência. Em uma das cenas, Cleek atira próximo ao ouvido da moça, após ela se negar a usar os talheres. Ao longo do filme, o personagem de Sean Bridgers revela-se a síntese da inversão de valores, mostrando-se ainda mais bárbaro do que a “selvagem”. Extremamente sádico e cruel, bate na esposa submissa, estupra a prisioneira e — possivelmente, já que Mckee não deixa isso claro — mantém relações incestuosas com a filha mais velha, que está grávida (não se sabe de quem). O filho, por sua vez, é a reprodução desse modelo de masculinidade, que aceita a brutalidade como intrínseca ao comportamento masculino e justifica toda e qualquer ação na base do machismo.
Fonte: Site oficial
A maior parte do filme estrutura-se diante da expectativa de libertação da personagem-título e a possibilidade de vingança caso consiga escapar. Há uma sensação constante de que o fim trágico (e sanguinolento) se aproxima. Talvez por representar a antítese dos demais personagens femininos, oprimidos e abusados, a protagonista acaba ganhando a empatia do espectador, frente ao modo como é tratada e o desejo de revanche. A sequência final leva ao ápice a discussão em torno do conceito de civilidade em uma sociedade que tem como bárbaros os não-civilizados. O discurso etnocêntrico do homem branco que se autodecreta superior e acha que pode incutir seu modo de vida no outro acaba totalmente desconstruído em sua própria crueldade e perversão, reduzindo-se ao primitivismo que tanto condena.
Ao diluir a dicotomia entre civilidade e barbárie, “A Mulher Selvagem” leva a repensar tais concepções. Talvez por isso, incomode tanto a alguns: na premiere do Festival de Sundance 2011, um homem na plateia levantou-se ofendido durante a exibição do filme e disse que a obra, muito longe de ser arte, deveria ser confiscada e queimada (assista ao vídeo).
0 comentários:
Postar um comentário