Arte, dispositivo e construção social. Frente à tarefa de construir na tela uma realidade que seja verossímil ao espectador, o cinema inscreve-se em subjetividades, que reproduzem valores e visões de mundo de um determinado grupo social. Enquanto realização coletiva, a obra cinematográfica é a expressão do pensamento de uma sociedade ─ um registro imagético e sonoro extremamente rico, capaz de revelar aspectos de uma cultura.
Justamente por configurar uma versão mediada de um universo sócio-ideológico, acreditamos que o cinema constitui um campo fértil para a reflexão em torno das identidades sociais, a partir de uma percepção antropológica. O objetivo deste espaço é, portanto, pensar as relações entre cinema e antropologia, tomando como ponto de partida a análise de filmes que incitem o debate acerca das relações de alteridade e nos levem em direção ao outro.
Da cinematografia nacional à estrangeira, as produções abordadas aqui não são especificamente etnográficas, mas sim produções convencionais, exibidas nas salas de cinema para um público que extrapola o acadêmico. O critério empregado na escolha das obras pauta-se, sobretudo, no gosto pessoal de cada autor, cujas empatias e afinidades com determinado filme parecem não apenas facilitar sua leitura, como também instigar a reflexão.
Como um olhar pessoal feito por três estudantes do curso de Cinema da Universidade Federal Fluminense (UFF), as proposições desenvolvidas aqui não devem ser consideradas sob um enfoque totalizante, estanque e inflexível. Ao contrário, constituem propostas muito mais preocupadas em fomentar o debate, do que em encerrá-lo.
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